Nuno Paiva: o arquiteto açoriano que criou o pavilhão da RARA

Conheça o percurso do nosso conterrâneo e fique por dentro do processo criativo que levou à projeção deste pavilhão.

Nuno Paiva é açoriano de gema mas, como tantos de nós, partiu para o continente logo depois do liceu. Começou por estudar arquitetura na FAL (Faculdade de Arquitetura de Lisboa) e deu os primeiros passos na sua vida profissional enquanto arquiteto e urbanista na Câmara Municipal de Lisboa. Seguiram-se vários projetos em nome pessoal e em coautoria nas áreas da habitação, da reabilitação e de retail, bem como uma posição de chefia na empresa Parque EXPO 98. Atualmente trabalha no Gabinete Coordenador do Programa Polis enquanto assessor principal e conta já com um prémio de Best Design atribuído pelos Fashion Awards Portugal (2009) e uma menção honrosa especial na competição internacional Sky Pavillion-ArchTriumph (2015).

Motivos não faltaram à organização do festival Walk & Talk para convidar Nuno Paiva a criar o pavilhão que receberia a exposição, situada em pleno Parque Atlântico. Estivemos à conversa com o arquiteto sobre as expectativas e os desafios deste convite especial.

Como surgiu o convite?

Recebi-o por parte da organização do festival Walk&Talk, que tinha como objetivo celebrar os cinco anos da RARA (Residência Artesanato da Região dos Açores). Queriam expor um conjunto de peças muito diferentes entre si – em cerâmica, em vime, em escamas de peixe, em tapeçaria – durante cerca de três semanas, no Parque Atlântico.

O que podemos esperar deste pavilhão?

Trata-se de um stand grande que alberga esta exposição e foi desenvolvido em estreita relação com o curador da exposição e da RARA, o Miguel Flor. Tem uma área para exposição e venda de objetos e tem também uma segunda área para workshops, apresentações dos artesãos, palestras, enfim, uma série de atividades. A ideia que tive foi uma mistura de duas: um anfiteatro e um leque. Criei um espaço que parece abrir-se como um leque, em vários níveis, que vai subindo numa escadaria. Num dos lados, temos as tais palestras e demonstrações, com bancos para os visitantes poderem sentar-se; ao longo da escadaria, estarão expostas as peças.

Como foi projetar este espaço?

Baseado neste projeto funcional e sabendo que o espaço serviria para expor peças de design, achei que este objeto arquitectónico teria que ser algo diferenciado mas simultaneamente não poderia ser exagerado, para não ofuscar a própria exposição. Tentei dar alguma componente escultórica para valorizar o conceito da exposição mas sem anular a importância dos objetos expostos. O objetivo era criar algo que fugisse à ideia normal de um pavilhão expositivo mas que fosse, ainda assim, neutro.

Qual a importância desta iniciativa?

Fico muito satisfeito por o Parque Atlântico se ter associado ao festival para fazer esta mostra, acho que é uma mais valia para todos. O festival dá-se a conhecer aos açorianos – o que progressivamente tem acontecido nos últimos tempos mas nunca desta forma, com esta dimensão. E, por outro lado, as pessoas ganham em visitar a exposição: ela mostra ao público uma nova roupagem dada aos objetos, mostra produtos inovadores, desenvolvidos ao longo dos últimos cinco anos. Esta iniciativa serve para, de alguma forma, levar a cultura às pessoas, já que este é um sítio onde passam muitas pessoas de toda a ilha e o evento é gratuito. Nesse sentido, a iniciativa não podia ser melhor.

Curioso? Passe por este pavilhão entre os dias 9 e 31 de julho para conhecer o trabalho de Nuno Paiva, visitar a exposição e participar nas atividades que teremos a decorrer! Contamos consigo.

 

Publicação
15 de Julho de 2019
Categorias
Cultura
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